quinta-feira, 7 de agosto de 2008

SOBRE JOÃO BAPTISTA

Brincava de fazer avalanches imaginárias nos montes de areia da obra em construção,sorria em tempos e contra tempos exatos. Em sua mente também havia avalanches, estas, em contra partida, inundavam seu subconsciente. Todo o peso do mundo era demais para seus frágeis ombros já gastos, hora ou outra iria ceder, não se importava. Por diversão corria riscos, sua alma já afiada trazia no olhar a serenidade de lágrimas passadas,todas as suas pequenas esperanças, deixadas para trás, todo o seu mundo renegado. Pelo caminho sabia que haveria pessoas que o entenderiam, o compreenderiam, e acolheriam aquele corpo em noites chuvosas de inverno. Não tinha mais medo, não demonstrava ter, seguia indiferente, indelicado, seguia ao seu modo,com a certeza de que um dia, em algum momento, a transformação ocorreria.-Você é um homem - Exclamava estufando o peito. Ao perceber que outros a sua volta reparavam em seu gesto de orgulho, por falta de auto-estima ou de personalidade voltava atrás em suas palavras.-Não, você não é um homem, você é um bicho, um bicho feio e imundo, isso é o que você é.Percebia que era assim que o mundo a sua volta o queria, mas quando não havia ninguém por perto, exclamava baixinho, apenas para que ele mesmo pudesse ouvir:-Você é um homem, nunca se esqueça disso.Ele era estranho em seu modo de pensar, talvez um tanto louco, talvez só alguém

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