segunda-feira, 21 de abril de 2008


Tanto em tão pouco que é difícil entender

Tanto em tão pouco que cabe na palma da mão

domingo, 20 de abril de 2008

DIÁLOGO

— E você, por que desvia o olhar?

(Porque eu tenho medo de altura.
Tenho medo de cair para dentro de você.
Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarra-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)

— Ah. Porque eu sou tímida.
(Rita Apoena)

quarta-feira, 16 de abril de 2008

CENSURA


POR MOTIVO DE FORÇA MAIOR =X

terça-feira, 15 de abril de 2008

PIQUE ESCONDE ♪♪♫♪


Ouviu tocar a campainha. Três, quatro, cinco vezes. Não fez sequer um movimento. Estava apavorada. O som estridente prendia-lhe a respiração. Sentia medo. Medo de sorrir novamente, descobrir-se bela e cozinhar para dois.
Ouviu tocar o telefone. Seis, sete, oito vezes. Suas mãos tremiam, o coração saia pela boca. Um pavor súbito tomava-lhe o corpo. Era medo. Medo de dividir o inabalável mundo que há tanto tempo construíra para si. Um castelo de plantas carnívoras e muros feitos de pilhas de livros,imagens de vídeos e certezas musicais.
Campainha e telefone já tocavam há dias. E por mais que resistisse, que fingisse não ouvir, havia algo que a atraia naquele gesto inssistente de quem estava do outro lado da porta. Por fim, deu alguns passos, ousou alcançar a chave pendurada na fechadura. Ali parou. Vibrava em medo. Estava tão acostumada à tristeza que cultivava em seu jardim, à solidão que tanto a acompanhava. Realmente não sabia se ali haveria espaço para mais alguém que não fosse ela e a sua sombra.

Por Maira Viana (Inspirado em Durma Medo Meu)

sexta-feira, 11 de abril de 2008

O SENHOR DO TEMPO

Quando nasce o dia, o tempo dispara
Ou será que para pra ver o Sol se levantar?
Quem será que manda na vida?
Quem dá a partida?
Quem que reiventa a luz?
Quem que faz esses azuis?
Como é mesmo que anda o tempo?
Será sempre assim tão lento?
Será que passa é por dentro de nós?
Será que é o Sol que ordena
e o tempo que obedece?
Ou será que o Sol só desce
quando o tempo eleva a luz?
Passa o tempo, passa a estrada.
Ou será que nada passa?
Nada conta além da graça do amor
O amor que é raio e centro
Eternidade e momento
Nosso solitário redentor
Único senhor do tempo, amor


"Também temos saudade do que não existiu,e dói bastante."

Porque todos nós devemos ter músicas para lembrar de lugares em que nunca estivemos, de sonhos que nunca sonhamos, pessoas que nunca conhecemos e sensações que nunca sentimos.
Pois lembrar daquilo que nunca vivemos também é uma forma de nostálgia.Quem sabe um dia um vento forte traga de novo pra minha varanda tudo aquilo que nunca foi meu, e eu tenha mais uma chance de viver tudo isso, pela primeira vez.


Letra de: Caetano e Milton Nascimento
Frase entre parenteses: Carlos Drummond de Andrade
Texto de conclusão: *Texto registrado e protegido conforme http://creativecommons.org/

quinta-feira, 10 de abril de 2008

NOVIDADE


Nova novidade seria dizer
que o sol ao se pôr no telhado da sua casa
mostrou-lhe as cores das roupas
secando nos varais
E que a falta da tua presença
logo seria preenchida
Mentira
Dos raios desfalcados faltava a luz
que sem razão, pela manhã
entrou pelas cortinas do seu quarto
e do toque da tua pele sentiu o calor
E o que fazer se a noite nevou só para confronta-la?
Do dia sem grandes conquistas ficou a vontade
e a marca dos lábios estampanda no vidro da janela
O que fazer então, se tão perto do coração fica tua casa?

*Texto registrado e protegido conforme http://creativecommons.org/

quarta-feira, 9 de abril de 2008

A FÉ EM NÓS ♪♪♫♪


Com licença, eu posso entrar? Eu sei que a casa também é minha, mas ela já tem tanto de nós que nem me sinto mais à vontade pra chegar assim sem avisar, sem marcar hora, sem ao menos um prefácio.
Não é fácil. Eu só vim buscar umas coisas, não pretendo me demorar.
É só o tempo de tomar um café, de separar as xícaras, os discos, os livros. A secretária eletrônica transmite os recados em vozes familiares. Substantivos, verbos, sujeitos e predicados. Orações mal formuladas. Sinto falta do nosso silêncio à dois. Sinto falta dos adjetivos nas mensagens que ouço. Eles devem estar nos meus textos de madrugada. Todos traduzem a fé em nós. Afinal, onde termina a música e onde começa a história? Afetos arquivados em pastas de computador. Deixarei um lembrete da próxima vez: "salvar nossa fé em disquete". Eu sei que a culpa também é minha, mas ela já tem tanto de nós que nem sinto vontade de partir assim sem avisar, sem marcar hora, sem ao menos um prefácio. Não é fácil. Com licença, eu posso ficar?

Por Maira Viana (Inspirado em A Fé Soluvel)

terça-feira, 8 de abril de 2008

PÉ DO PATO MANGALÔ TRÊIS VEIZ


Bom, acho que talvez você nunca nem leia esse texto, o mais provável é que você nunca venha a ter conhecimento da existência dele, mas mesmo assim quero falar, falo pras paredes se for preciso, pois era algo que eu estava acostumado a fazer antes de você entrar na minha vida. Não vou dizer que as coisas estão difíceis, pois tudo anda correndo muito bem, mas devo admitir que se tudo esta desta forma é graças ao caminho que você me influênciou a seguir.
Você fez por mim o que nenhuma garota havia feito desde então, chegou por acaso, de uma forma inesperada, e de repente, como quem não quisesse nada me mostrou uma certa música de uma certa trupe, nada demais isso, afinal em que você achava que mudaria minha vida aquela música mostrada dia 28 de outubro do ano passado???
Mas esse nada demais acabou não sendo tão nada assim, esse nada demais foi a alavanca inicial de algo que começou a crescer dentro de mim, foi mais forte que eu, me mudou. Deixei de ser uma pessoa triste, fechada e tímida. Pois em cada nova música que eu escutava, me inundava por dentro uma vontade louca de viver, de amar, sonhar, tornar tudo possível, e de repente o fruto maduro caiu no chão, e começou a querer rolar pela terra, descobrir lugares, pessoas, descobrir o que era necessário pra quebrar aquele tédio que por dentro me corroia.
Fazer novas amizades era complicado, hoje em dia é a coisa mais natural do mundo.Antes de você eu jamais pintaria a cara, cortaria o cabelo, abandonaria meu Strokes e meu Libertines, hoje posso dizer que tudo isso ficou no meu passado.
E embora você já não faça mais parte de mim, ainda é um dos meus pedaços que mais gosto, meu pedaço de esperança, o pedaço espalhafatoso, que grita, xinga, ri, o pedaço sem medo, que vira palhaço e recita poemas, que borra a pintura da cara fazendo swing, que acorda cedo pra ir pro Ibirapuera, que faz amigos poetas.Parte do meu pedaço que tento tornar artístico veio de você, foi por sua causa que voltei a escrever, e desde então as letras que sairam de minha cabeça já fizeram 13 músicas, todas tendo-lhe como musa inspiradora, antes de você eu só tinha feito músicas pensando em uma garota, e isso ainda em meus tempos de escola, mas elas nunca sairam tão lindas quanto as que lhe tiveram como inspiração, é claro, já temos uma música de despedida também.
Eu não entendo até hoje o motivo daquela briga, foi tão boba, tão rápida, mas aconteceu, talvez eu tenha dito coisas que te magoaram, mas também fui magoado por você, eu nunca quis roubar nada que era seu, mas achei que tinha coisas que você estava disposta a dividir, bom, me enganei, não quero alastrar mais ainda isso, eu não espero que a gente um dia volte a ser como já fomos, pois algo que aprendi ainda antes de você entrar em minha vida foi saber deixar o passado em seu devido lugar, e é lá que ele permanecerá, repousando em minha nuvem de lembranças, mas algo que reconheço e lhe agradeço de coração foi por você não ter me deixado sozinho, pois embora você tenha partido me deixou aberta uma porta na qual são inúmeras as possibilidades que vou descobrindo mais e mais a cada dia, você me deixou parte das ferramentas que estão fazendo da minha vida algo que eu sempre quis, sei que a cada nova amizade, a cada novo show, a cada nova fuga da realidade, parte dos créditos são seus, pois tudo isso veio de um circuito que à seis meses atrás me foi apresentado por você, de uma forma linda, através de uma janela, uma madrugada e uma luz tardia, durmam nossos medos.

*Texto registrado e protegido conforme http://creativecommons.org/

segunda-feira, 7 de abril de 2008

TEATRO MÁGICO EM JUNDIAÍ


Ainda tou aqui todo bobo, que nem pinto no lixo (como diria a Carol) vendo as fotos do show, e escutando as músicas da trupe, ainda meio sem acreditar como minha vida tem sido desde que conheci o trabalho deles em outubro passado, e comecei a participar indiretamente desta coisa fantástica que é O Teatro Mágico. Pode parecer bobeira pra qualquer outra pessoa, mas pra mim é especial demais, pois é a primeira vez que estou participando de algo que está em fase de andamento ainda, e melhor, algo que estou podendo acompanhar de perto, bem diferente de gostar de Legião Urbana, já que nunca pude ver um show deles, ou de Strokes, que é uma banda que se vê um show na vida e talvez outro na morte.
Teatro Mágico tá ali, começando a escrever sua história na música ainda, os caras ralando, batalhando pra caralho pra se manterem como banda independente, tendo como único meio de divulgação a internet e o famoso boca-a-boca.
Depois deles meu mundo se expandiu, conheci pessoas maravilhosas e lugares fantásticos, me acostumei a ir cada vez mais longe de casa, sempre tentando seguir ao máximo suas turnês pelo interior de SP, passei a tentar fazer malabares, e tou aprendendo a fazer swing, comecei a frequentar sarais, (esse mês tem o do Ibira) voltei a tocar violão, e tentar dedilhar músicas como "Menina" e "Durma Medo Meu", e em Jundiaí parece que foi a hora de começar a colher esses frutos que já estavam plantados em minha alma a seis meses, ver toda a galera junta, se maquiando, conversar com o pessoal da trupe depois do show, e eu que sempre fui acostumado a não ter com quem conversar sobre meus gostos musicais de repente me vi no meio de 1800 pessoas que gostam da mesma coisa que eu.
É algo meio indiscritivel, e fora as novas amizades que fiz, o momento mais especial foi poder abraçar (again) a Gabi, acho que admiro ela tanto quanto o Anitelli, ela que se acostume com o "Rober borrado" como ela mesmo disse, afinal sempre tem alguém pra passar a mão na minha cara e borrar a pintura ¬¬
E tou me empenhando em fazer a bonequinha dela que eu prometi, o mais dificil tá sendo fazer a roupinha da boneca, mas promessa é divida, e no show de Osasco vou tá eu lá entregando a boneca pra ela =P
Tomara que ela goste, afinal não sou costureiro, mas tou me empenhando ao máximo, quem sabe eu consiga fazer um do Anitelli futuramente, por enquanto só a da Gabi mesmo, que pra mim é uma das mais raras da trupe.
Bom, falei demais já, agradecimento ao Erick por me acompanhar em minhas loucuras e aventuras sem me questionar, e mesmo quando eu uso o velho "vc não confia em mim???" ele diz confiar e eu meto ele em furada, mas mesmo assim ele nunca descontou (ainda), a Carol, por sempre me entender, e Ph por ter me dado a chance de buscar o que eu realmente quero, fikei feliz hj por saber que vcs já olharam meu blog, logo hj que eu tava conversando a respeito disso, que nunca ninguém olha meus textos, eu pergunto pra vcs e descubro que vcs já olharam, da próxima vez deixem comentários, só pra isso aqui não ficar tão deserto, e agradeço tbm a outros dois que não preciso citar o nome mas que sei que tbm já deram uma olhada em meus textos,
valeu por curiarem =D
Acho que é isso...ou melhor, é isso, por enquanto...

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sexta-feira, 4 de abril de 2008

QUIÇA


Foi reencontar, e acontecesse, e como seria?
Como saber, eu vi você, passando por mim.
Sonhar, quiça, a gente se reencontar
E o coração bater, antes de sequer volver meus passos
Eu vi você ali de perto, depois de tantos anos
mas você nem viu, e eu mudei tanto assim?
E você estava sorrindo, daquele mesmo jeito lindo
e durante toda aquela tarde, me perguntei em quem você pensava
enquanto soltava aquele sorriso
Você trazia contigo aquele mesmo colar, e eu imaginei
se você ainda lembrava daquela tarde
em que ô coloquei em seu pescoço
Quiça sonhar, mesmo por um instante
Então você ô abraçou
Aquele abraço forte que por tantas vezes foi meu
E tantas coisas passaram por minha mente
De outros primeiros beijos, na frente do espelho
Aquele parecia ser o mais marcante
Quiça, sonhar, vida ao teu lado
Quiça, sonhar, vida ao teu lado novamente
Quiça esquecer, tudo que me lembro
Tudo não entendo, você nem sequer lembrou meu nome

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quinta-feira, 3 de abril de 2008

PERTO DEMAIS


O amor é uma mentira que levamos para a cama, é a intimidade que engana, o soriso de prazer debaixo dos lençois suados, um ato de encaixe e sintonia de movimentos. Um desejo estranho e insaciável de satisfação mútua. Porque existe covardia por trás dos olhares na multidão, existe ódio e vingaça por trás das promessas, a diversão que se expande em juras eternas, um ato encenado, que nos torna expectadores de nossas próprias histórias, observadores inertes e salivantes da próxima cena, em que a porta se fecha e não há ninguém nos esperando na sala, um jogo em que não há vencedores.

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quarta-feira, 2 de abril de 2008

VELHOS TEMPOS


Abra a janela
e deixe o sol entrar porque
estes anos não irão voltar
mesmo que queiramos
Todas suas idéias
estão anotadas neste
pequeno bloco de papel

Riu ao ver você esperando algo acontecer
Especialmente por você eu consigo mudar
Especialmente pra você eu quero ser melhor

Hoje acredito em tantas coisas que antes
não passavam de bobagens
Eu me lembrei de você
Foi preciso crescermos separados
pra depois voltarmos a crescer juntos
sem nos afetar

Suas palavras me chegam como músicas
E o cheiro do meu Malbec já
esta em todas as roupas que você usa
E o cheiro do seu corpo está no sofá da sala
Vem, tem de ser hoje,
só você faz o meu mundo acontecer

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