terça-feira, 15 de abril de 2008

PIQUE ESCONDE ♪♪♫♪


Ouviu tocar a campainha. Três, quatro, cinco vezes. Não fez sequer um movimento. Estava apavorada. O som estridente prendia-lhe a respiração. Sentia medo. Medo de sorrir novamente, descobrir-se bela e cozinhar para dois.
Ouviu tocar o telefone. Seis, sete, oito vezes. Suas mãos tremiam, o coração saia pela boca. Um pavor súbito tomava-lhe o corpo. Era medo. Medo de dividir o inabalável mundo que há tanto tempo construíra para si. Um castelo de plantas carnívoras e muros feitos de pilhas de livros,imagens de vídeos e certezas musicais.
Campainha e telefone já tocavam há dias. E por mais que resistisse, que fingisse não ouvir, havia algo que a atraia naquele gesto inssistente de quem estava do outro lado da porta. Por fim, deu alguns passos, ousou alcançar a chave pendurada na fechadura. Ali parou. Vibrava em medo. Estava tão acostumada à tristeza que cultivava em seu jardim, à solidão que tanto a acompanhava. Realmente não sabia se ali haveria espaço para mais alguém que não fosse ela e a sua sombra.

Por Maira Viana (Inspirado em Durma Medo Meu)

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